Uma nova decisão governo gaúcho sobre a gestão do ensino em Porto Alegre motivou a comunidade da Escola Estadual de Ensino Fundamental (E.E.E.F) Dr. Martins Costa Jr, no bairro São José Partenon, a organizar uma assembleia na manhã desta sexta-feira (16) para solicitar providências para a manutenção das atividades na instituição de ensino. A Secretaria de Educação (Seduc) havia informado que cerca de 80 alunos seriam transferidos para a realização de obra na escola.
A assembleia discutiu com mães, pais e avós de alunos sobre a recém-anunciada tentativa de transferência dos alunos para a escola vizinha, a E.E.E.F Jerônimo de Albuquerque. A Seduc, através da 1ª Coordenadoria Regional de Educação (1ª CRE), alegou que o motivo para a realocação é a péssima condição do telhado, que foi danificado em função do temporal registrado em janeiro; sendo que outro prédio, em piores condições, estava interditado desde setembro de 2020.
Recursos de emendas não chegaram à escola
Nos últimos anos, a escola foi escolhida para receber mais de R$ 1 milhão destinados por meio de três emendas parlamentares encaminhadas pela deputada federal Maria do Rosário (PT). Porém, até hoje informações sobre os recursos jamais chegaram à instituição de ensino. A parlamentar, que é ex-aluna e ex-professora da escola, participou do encontro com o intuito de pressionar o governo a dar início às obras necessárias e assegurar o desejo da comunidade de permanecer no local.
Após a assembleia, a deputada fez contato com a Secretária Raquel Teixeira e a titular da 1º CRE, Márcia da Silva Garcia, cobrando respostas do governo do estado sobre os recursos enviados por emendas que deveriam ser utilizados na obra. De acordo com ela, a coordenadora informou que o desejo da comunidade será mantido e as obras serão iniciadas dentro de um prazo máximo de três semanas.
“Está sendo feito um levantamento dos recursos destinados nos últimos anos para ajudar na obra, o que já deveria ter sido colocado em prática. Foi prometido que a obra vai se iniciar em três semanas e que desde esta sexta-feira já serão implantadas lonas para proteger a parte elétrica, que está muito comprometida, e também a estrutura como um todo”, destaca a deputada.
Mobilização será mantida
A diretora-geral do 39º núcleo do Cpers, Neiva Lazzarotto, comemora a decisão, porém destaca a necessidade de mobilização permanente da comunidade e constante de fiscalização do processo. Para ela, a falta de iniciativa em realizar a reforma do telhado para garantir a continuidade das aulas expôs o projeto de sucateamento das instituições de ensino públicas gaúchas deflagrado pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Ela aponta uma série de reformas essenciais nas quais os recursos das emendas devem ser aplicados, evitando de forma definitiva a redução do quadro de alunos.
“A escola precisa de telhado para os dois prédios, pois um deles está interditado desde meados do ano passado. Além disso, precisa de investimentos na parte elétrica, caixa d'água e de parte do muro que caiu. O 39° Núcleo entende como muito grave o abandono desta e outras escolas pelo governo Leite. Trata-se de um governo que optou por ajuste fiscal, isto é, corte de verbas colocando em risco as escolas, o trabalho de professores e funcionários, para garantir o direito à educação a filhas e filhos da classe trabalhadora”, salienta Neiva.
Apesar da confirmação das obras para a manutenção das aulas, um ato será organizado na próxima segunda-feira (19), em frente ao Palácio Piratini. O objetivo é exigir que a escola receba os investimentos que estavam previstos por emendas.
Edição: Marcelo Ferreira